Empreendedores, diretores, e executivos: o que eles fazem?

Uma das minhas maiores frustrações aconteceu quando eu saí da faculdade de administração e pensei: 

Pô, eu preciso abrir uma empresa pra ver se eu aprendi esse troço certo.

E as minhas expectativas foram cruelmente, friamente, e devastadoramente destruídas.

Eu não fazia a mínima noção do que eu estava fazendo.

Eu não aprendi nada na faculdade de administração – nada que me ajudasse a ser um “empreendedor” no sentido de “tocar um negócio”, pelo menos.

Hoje, trocentas mil pessoas (fiquei com preguiça de ir atrás do número exato) estão matriculadas em cursos de administração pelo Brasil. Teoricamente, todas elas sairão da faculdade aptas a “administrar”, não é mesmo? 

Encaramos que, assim como um acadêmico de medicina sai da faculdade um “médico”, um acadêmico de administração sairá da faculdade um “administrador”.

Estamos redondamente, quadradamente, e qualquer outra forma geométrica em forma adverbial que você queira inserir aqui, enganados. Tanto em medicina, quanto em administração.

Nem o acadêmico de medicina sai um médico com o toque mágico do reitor, nem o acadêmico de administração sai um administrador com a assinatura de um papel couché de 180g/m2 que custa R$2,00 na papelaria mais próxima.

Grande parte dos estudos em administração tentam esclarecer o que os empreendedores, diretores, e executivos fazem, e o que podemos aprender com eles.

Veja o caso de Porter, por exemplo, que fala que os executivos são as cabeças pensantes das empresas. Já Fayol, dizia que são os executivos que controlam as empresas. Tom Peters falou que são os executivos os responsáveis pelas ações.

Então, afinal…

O que fazem os executivos, empreendedores, e diretores?

Tudo, seria a definição mais adequada.

Entretanto, como sei que você ficaria extremamente decepcionado caso essa fosse minha resposta final, vou desenvolver o meu argumento aqui.

Recentemente, estive passando pelo livro “Managing”, de Mintzberg, disponível nas referências aqui embaixo. Mintzberg é um acadêmico da McGill University, em Montréal.

Ele tem um jeito diferente de ser um acadêmico, assim como Nassim Nicholas Taleb. Eles não são apenas acadêmicos. Eles pensam como praticantes. E é por isso que sejam, talvez, meus autores preferidos, meus acadêmicos-praticantes preferidos.

Esses dois caras reconhecem que a academia e os estudos vão até um ponto.

Não me entenda mal. É evidente, e eu jamais poderei negar que quanto mais leitura e mais estudo, melhor. Nunca vi ninguém, seja ele executivo ou empreendedor, médico ou diretor comercial, falando que se arrepende de estudar.

Mas precisamos reconhecer que os estudos e o conhecimento codificado só chegam até um ponto. Só podemos aprender algumas coisas com os livros, outras precisamos aprender pela prática.

Veja, muitas pessoas usam a seguinte piadinha para desmerecer o conhecimento dos acadêmicos e das pessoas que gostam de ler. Elas dizem que é impossível aprender a andar de bicicleta por meio de um manual, ou um tutorial. Ainda não vi livros que ensinem alguém a dirigir, por exemplo. E se eles existirem, talvez até sejam úteis, mas ainda assim, são limitados.

Pessoas nunca aprenderão a andar de bicicleta ou a dirigir apenas através dos livros. Há uma parte do conhecimento que é impossível de ser codificada – o conhecimento experiencial, que é extremamente tácito, ou seja, impossível de ser explicado a outros.

Executivos e empreendedores podem até tentar te explicar o que fazem, mas nunca o conseguirão. O trabalho do executivo e do empreendedor é um blend muito bem feito de técnicas de persuasão, de empatia, de misticismo e xamanismo, de crença e aspectos não científicos, programação neurolinguística e marketing barato.

Mas também tem uma grande dose de experiência, prática, e arte.

Muitos proprietários de grandes empresas brasileiras, e até grandes startups do vale do silício, são pessoas que não tiveram uma gota sequer de formação intelectual formal. Uma péssima notícia para faculdades de administração.

Mintzberg, um acadêmico-praticante, chegou a uma conclusão sobre tudo isso. Ele quis pacificar o terreno, além de entender melhor o que os executivos e empreendedores fazem.

Na sua tese de doutorado, ele não apenas entrevistou, mas observou diversos executivos, de diversas áreas, durante 1 mês. E quando eu digo que ele observou, quero dizer que ele viveu com os caras durante esse período. Ele empregou uma técnica chamada de shadowing, ou seja, ele foi a “sombra” desses executivos durante um considerável período.

Eu acredito que o trabalho de executivos, empreendedores, e diretores de empresas seja muito semelhante. Claro que existem diferenças, mas é que eles são responsáveis por vários projetos concomitantes, e precisam fazer as coisas darem certo. Então, usarei o que Mintzberg ensina para tentar explicar o que esses caras fazem.

Mintzberg argumenta que executivos tem três graus de ação:

  • No grau da informação, os executivos comunicam e controlam. Ou seja, eles precisam constantemente trocar ideias com pessoas dentro e fora da organização, enquanto também controlam o que acontece dentro da organização. (é evidente que eles não conseguiriam controlar o que acontece fora dela).
  • No grau das pessoas, os executivos fazem conexões e exercem sua liderança. Em outras palavras, eles conectam-se com outras organizações, agências, fornecedores, patrocinadores, compradores, e clientes. Dentro da organização, eles tem um papel de liderança, de dirigir o ônibus, mantendo consistência com a metáfora anterior.
  • No grau da ação, os executivos negociam e fazem. Negociam dentro e fora da organização, negociam com compradores e com fornecedores, com o governo e com a sociedade, com outros diretores e executivos, com as suas famílias e consigo mesmos. Dentro da organização, eles fazem. São os que precisam colocar o pepino na mesa (para não ser chulo) e dizer que “é isto que vamos fazer, por causa disso, disso, e disso”.

Em suma, para ficar fácil para você, os executivos agem em três planos: Informação, pessoas, e ação. Eles precisam trocar informações e controlar seu fluxo. Eles precisam fazer conexões com pessoas e liderar outras pessoas. Eles precisam negociar com essas pessoas para fazer as coisas que precisam ser feitas.

Mas Caio, isso tá meio superficial. Você ainda tá dizendo que os executivos fazem tudo.

Realmente. O que posso fazer? É isso mesmo que eles fazem.

Se pegarmos todos os estudos, biografias, e entrevistas com celebridades como Elon Musk, Tai Lopes, e Gary Vaynerchuck, verá que todos eles tem essas três áreas muito bem definidas, e fazem de tudo pelos seus negócios.

Mas o que aconteceu até agora?

Os acadêmicos e até alguns executivos e empreendedores que tentaram definir o que eles faziam cometeram todos o mesmo erro: o reducionismo.

Eles falaram que executivos e empreendedores são líderes, esquecendo-se da tomada de decisão. Eles falaram que os executivos e empreendedores são planejadores, esquecendo-se das pessoas. Eles falaram que os executivos e empreendedores são executores (afinal, são executivos, note o mesmo radical), esquecendo de todo o resto novamente.

Geralmente, em consultorias, palestras, e cursos que vamos, os consultores, palestrantes e professores tendem a ser extremamente reducionistas. 

É claro. Isso te dá mais conforto. Eles são “especialistas”, e falam exatamente o que você quer ouvir, geralmente colocando até uma piadinha no meio para você gostar deles.

A realidade é mais dura, cara. A realidade é que talvez você esteja jogando seu dinheiro fora com um bando de palpiteiro que vai fazer um planejamento estratégico pra sua empresa sem nem saber o que vão comer no almoço amanhã.

Você que tá aqui já percebeu que eu faço as coisas de um jeito diferente. Eu tenho um time de pessoas que pensam como eu, e nós resolvemos as coisas com um blend de ciência e prática. 

Eu quero abrir a cabeça das pessoas para o que é gestão e estratégia. E foi por isso que eu escrevi um e-book: “O que todo mundo deveria saber sobre estratégia”.

Além de te mostrar as principais correntes no estudo da estratégia, o estado da arte nas empresas e estudos, eu te faço 89 perguntas. Não adianta nada, NADA, você ler sem responder as perguntas.

A parte mais importante desse e-book são as perguntas, que nenhum outro livro te faz. Essas perguntas são muito melhores do que as dos consultores que você já contratou ou pensou em contratar. E eu tô te dando todo esse valor sem pedir nada em troca.

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REFERÊNCIAS (clique para comprar!)

Mintzberg, H. (2009). Managing. Berrett-Koehler Publishers

Taleb, N. N. (2007). The black swan: The impact of the highly improbable . Random house.

Photo by rawpixel on Unsplash

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