Você vai ser rejeitado. Por que? Como lidar com a rejeição?

Isso é mais certo que a morte, cara.

Eu sempre falo que nem Jesus conseguiu agradar todo mundo. E tem gente que mesmo assim, insiste em tentar agradar gregos e troianos.

É claro, e vou deixar já aqui no começo para evitar qualquer má interpretação do que eu estou escrevendo: isso não é uma desculpa para você não tentar fazer nada novo, ou para você fazer tudo meia boca.

Mas sim, mesmo no seu melhor trabalho, você será rejeitado.

Mais natural que isso é só a certeza de que vai chover muito em Curitiba no começo da primavera.

O problema é que poucas pessoas sabem lidar com a rejeição. E eu me incluo nesse seleto grupo. Fico muito triste e baqueado com a rejeição.

Mas existe um alento. Todo mundo é, já foi, e será rejeitado. Não uma, nem duas, mas milhares de vezes por vir.

A grande sacada está na sua reação à rejeição. Se ela vem em forma de paralisia por auto-crítica e dúvidas quanto à sua real vocação, ou se ela vem em forma de mais trabalho por mais tempo.

Você vai ser rejeitado. E aí, o que você vai fazer com isso?

A vida de um cartunista/designer

Uma das profissões que acho fantásticas é a de designer, cartunista, ou daqueles caras que mexem diariamente com arte e seus derivados.

Aqui entram escritores também, gestores com certeza, e até alguns cozinheiros, mas vamos falar desses depois.

Veja que o designer ou o cartunista mexem com artes visuais, e é nelas que eu quero focar aqui. Principalmente porque não existem muitas regras do que é um bom design/cartoon do que não é.

“Ah Caio, claro que existe”. Ok, você deve estar pensando nas regras de proporção, na proporção dourada, e outras maneiras que alguns estudiosos acharam para facilitar a vida desses caras.

Mas o uso dessas ferramentas, ou ainda, a simples consideração dessas ferramentas não garante êxito.

Eu gosto de falar do designer porque eles são os profissionais que entendem de desenho. Eles estudaram pra isso, e sabem o que funciona e o que não funciona.

E mesmo assim, quando vão fazer, digamos, uma arte para o flyer de uma empresa, sempre tem um pra falar:

“Aumenta a Logo!”

“Muda a fonte!”

“Dá mais destaque para isso!”

E realmente não interessa absolutamente nada se o designer deu o melhor de si mesmo. Ele vai ser rejeitado em 96% das vezes.

O mesmo acontece com o caso que Duckworth conta de um cartunista, cujo sonho era estar no “The New Yorker”, uma revista de sátiras, desenhos, comentários, críticas, etc.

Ele tentou por 6 anos, até que foi finalmente, admitido pelo The New Yorker para ser um cartunista deles.

E isso depois de ter feito uma carreira inteira em psicologia. Ele até chegou a conquistar um doutorado em psicologia. Por que?

Quando criança, ele estudou em uma escola focada em artes. E nessa escola, ele viu que não tinha talento. Ele viu outras crianças desenhando mais e melhor que ele, e acabou meio que desistindo do sonho de virar um cartunista.

Mas o importante é que ele virou a página. Mesmo no doutorado, nunca parou de desenhar. Ele estabeleceu que o objetivo da vida dele era ser um cartunista. Mesmo se o curto-prazo levasse ele a fazer outras coisas.

E ele conseguiu, cara. Depois de ser rejeitado pelo The New Yorker aproximadamente 2.000 vezes.

E hoje ele diz:

Faça tudo em lotes de dez.

Isso mesmo. Tudo o que você for fazer, faça 10 vezes diferentes. Um texto? 10 vezes diferentes. Um desenho? Um trabalho? Um estudo? Ler um livro?

Tudo em lotes de dez.

Pense em 10 ao invés de pensar em 1 e desistir.

Abriu uma empresa que não deu certo? Abra a segunda até chegar na décima.

Fez um curso e desistiu? Vai lá e volta a matrícula até você desistir 10 vezes.

Mandou um currículo e te mandaram uma cartinha estúpida? Mande mais 10 vezes.

Por que? Por que essa obssessão, essa coisa ridícula de tentar, tentar, tentar, tentar, só pra falhar na segunda vez?

A explicação é fácil.

9 em cada 10 vezes você vai falhar ou ser rejeitado.

E a ciência prova isso:

Os estudos de Cox

Catharine Cox foi uma cientista da universidade Stanford.

Em 1926, ela se interessou por saber o que levava algumas pessoas a serem tão inteligentes e bem sucedidas.

Pra ser mais exato, ela estudou 301 artistas, poetas, líderes, cientistas, filósofos, músicos, etc.

Pra você ter noção, o resumo do estudo dela tem mais de 800 páginas. Então você pode ter certeza que ela estudou bastante antes de falar.

A primeira conclusão dela foi que, evidentemente, os mais inteligentes do estudo dela tinham um QI mais alto que o nosso.

Mas a segunda conclusão dela foi que, evidentemente também, QI não importa muito. Quer a prova? Pegue os 10 mais famosos e os 10 menos famosos:

Os 10 mais famosos: Francis Bacon, Napoleão, Burke, Goethe, Lutero, John Milton, Isaac Newton, Pitt, Voltaire, e George Washington.

Os 10 menos famosos: Von Bunsen, Chalmers, Chatterton, Cobden, Coleridge, Danton, Haydn, Robert de Lamennais, Mazzini, e Murat.

Tenho certeza que você conhece muitos dos 10 mais famosos, e talvez nenhum dos 10 menos famosos.

Quer a prova de que QI não significa muita coisa?

A média do QI dos 10 mais famosos é 146. A média do QI dos 10 menos famosos é 143.

3 pontos de diferença.

O que faz a diferença, então?

A Cox explica o que faz a diferença em 4 indicadores do estudo dela:

  1. Trabalhar com um objetivo distante em vista (o contrário de viver no presente). Preparação ativa para a vida futura. Trabalhar para um objetivo.
  2. Tendência de não abandonar tarefas por estar “enjoado” ou “cansar” delas. Não buscar algo novo só por causa da sua “novidade”.
  3. Grau de perseverança. Grau de força de vontade. Determinação para traçar um objetivo e seguir em frente.
  4. Tendência de não abandonar o objetivo mesmo com obstáculos no caminho. Perseverança, tenacidade.

O que isso tem a ver com a rejeição?

Veja que não importa se você é o mais inteligente. Até porque inteligência é uma coisa que se constrói com o bons hábitos de leitura e reflexão.

O que importa, segundo o estudo de Cox, é sua perseverança, mesmo quando aparecem obstáculos, mesmo quando você se atrai por uma coisa nova e diferente.

A grande diferença dos que chegaram lá e tiveram “sucesso” para aqueles que ainda estão caminhando é um esforço consistente, persistente, e infinito rumo a um objetivo em específico.

E existem várias metáforas para isso. Vou deixar duas aqui.

Você pode bater em 1 ou em 100 portas. Em quais das situações é mais fácil que uma delas abra?

O famoso ditado: “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

Se eu pudesse deixar uma coisa gravada na sua cabeça com esse texto é que não existe atalho.

Não existe caminho fácil, nem almoço grátis. Pelo contrário.

Só existe o caminho difícil. E você vai ter que ir. E você vai ser rejeitado, e você vai cair, e você vai se machucar, vai se desesperar, vai ficar frustrado, vai ser ruim.

Mas de tanto tentar, uma hora você vai conseguir. E isso vai valer a pena.

É assim que você lida com a rejeição. Procurando a próxima.

E é evidente que isso não é tudo. Essa pode ser uma visão simplista das coisas, não é?

É por isso que toda sexta-feira eu mando um email para um grupo de pessoas que tá buscando desenvolvimento pessoal.

Eu escrevo artigos como esse para elas, mas com mais aplicações para o dia-a-dia delas. Então elas conseguem ter um “guia” para fazer as coisas.

Eu sou só um intermediário. Um cara que lê ciência e vomita jargões e coisas fáceis.

Quer saber como ser mais feliz, mais produtivo, mais rico, e mais presente pra família no dia a dia? E quer saber isso com base em ciência, não em palpite?

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REFERÊNCIAS (Disponíveis na Livraria do Caio)

Duckworth, A. (2016). Grit: The power of passion and perseverance (Vol. 124). New York, NY: Scribner.

Photo by Makarios Tang on Unsplash

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