O que um administrador faz, e o que ele deveria fazer?

Esqueça aquele negócio de planejar, organizar, dirigir e controlar. Aqui o papo é reto.

Qual a diferença de administração e gestão, por exemplo?

No final, são várias palavras para apenas uma coisa. Administrar e gerir é fazer as coisas em organizações, e cuidar para que todas as coisas que precisam ser feitas, sejam feitas.

Em organizações, são as pessoas que precisam fazer as coisas. Então o administrador precisa ter certeza que as pessoas farão essas coisas. Ponto final. Nada de planejar, organizar, dirigir ou controlar.

Então porque a gente passa 4 anos estudando como as pessoas fazem as coisas nas organizações? Porque eu tenho um mestrado em “como as pessoas fazem as coisas nas organizações”?

Simplesmente porque a gente tornou isso em número. Simplesmente porque algum cara que não tinha a mínima noção do que tava fazendo, e que tinha um fetiche pelas ciências naturais, falou que “o que não pode ser medido não pode ser administrado”.

Esse cara que falou isso se chamava Lord Kelvin, e ele era uma anta, bicho. E nesse post, eu vou sair da ladainha de que administração é sinônimo de números que não dizem nada, alem de planejar, organizar, dirigir, e controlar.

Gestão versus Gerencialismo

Gestão é fazer com que as pessoas trabalhem para um objetivo em comum, cara. Então um médico que é o líder de uma equipe de residentes, é um gestor. Isso é indiscutível.

A gestão é uma prática. Não é estudo. Não adianta você ler o melhor livro sobre “como observar pássaros”, ou então ler todos os artigos científicos sobre “como pescar” se você nunca observou pássaros nem pescou, bicho.

O problema é que há um erro muito grave em como a gente interpreta o comportamento das pessoas quando a gente tenta administrar alguma coisa, e isso é causado pelo gerencialismo.

O gerencialismo é o que acontece quando um grupo se intitula como “aqueles que sabem como as pessoas tomam decisões”. São aqueles economistas e administradores que nunca saíram de seus escritórios, e inventaram modelos matemáticos para preverem a decisão das pessoas.

Esse pessoal gerencialista esqueceu que seres humanos não são racionais, nem se comportam da mesma maneira. Tem gente que vota no Bolsonaro, e gente que vota no Haddad. Mas esquecem que ainda tem o João Amoedo na jogada.

Gestão não é número, apesar de números serem o grande fetiche das escolas de negócio. Aprendemos cálculo já nos primeiros anos, em uma tentativa de entender leis econômicas que não funcionam.

Eu nunca vou esquecer quando eu perguntei para um professor de economia, quando ele estava explicando que o produto mais barato sempre venderia mais, que se eu tivesse que pegar o carro pra ir comprar o produto mais barato, e pagar estacionamento, ele ficaria mais caro.

Ele não soube me responder essa simples indagação em termos de teorias econômicas. É claro que não. Nós não somos seres “maximizadores” de bem estar. A gente não quer maximizar a nossa riqueza, nem maximizar o nosso bem estar. A gente quer satisfazer ambos, mas não maximizar.

E é aí que entra as principais lições da filosofia. E a filosofia é mais importante que você pensa, bicho.

Filosofia versus Matemática

Veja, uma parte importante, uma distinção muito importante que precisamos fazer é separar o que é filosofia do que é matemática.

A matemática nos dá um corte transversal do tempo. Ou seja, ela fala o que tá acontecendo agora, não o que tá acontecendo sempre.

“Ah Caio, mas 2+2 é sempre igual 4”. Claro que é. Mas eu não tô falando desse tipo de matemática.

Eu tô falando da matemática que a gente aprende em administração. Pegue aí, previsão de demanda. Pesquisa operacional. Você que me diz.

Previsão de demanda geralmente usa o que aconteceu ontem para prever o que vai acontecer amanhã. Só que o que aconteceu ontem já passou , e pode não ter nada a ver com o que vai acontecer amanhã, bicho.

A matemática serve para engenharia, não para prever como seres humanos vão se comportar. Para entender como seres humanos se comportam, precisamos da filosofia.

É a filosofia que fala da retórica, da capacidade do ser humano de persuadir outro a fazer o que ele quer. É a filosofia que fala de política e negociação, da dependência de diversos fatores – estes imensuráveis – para a tomada de decisão.

Não digo que números não são importantes. Eles são sim. Mas não são tão importantes assim, e muito menos necessários. Muitas vezes, números não falam nada, e administradores tentam interpretá-los mesmo assim.

Competição versus Colaboração

Por último, temos isso.

Não me leve a mal. Sou liberal. Gosto de Hayek, Mises, e Rand. Mas eles fizeram uma cagada muito grande. Principalmente Hayek.

Isso porque o foco do liberalismo é a competição. Colaboração virou uma coisa de esquerda.

O capitalismo (vide as políticas do Trump) virou uma coisa totalmente egoísta graças aos economistas liberais, que se esqueceram de grande parte da ética e viraram os olhos para cálculos matemáticos.

Filosofia versus Matemática, mais uma vez.

Veja as cinco forças competitivas de Porter. Elas são competitivas, e não colaborativas. E assim, gestão e estratégia viraram sinônimos para estratégias de guerra com Sun Tzu e Von Clausevitz.

Ninguém tá em guerra, cara. Pare de ser burro e achar que organizações estão em guerra.

A democracia foi extinta das organizações. Dinheiro virou sinônimo de habilidades de liderança e sucesso contra os demais.

Organizações viraram grandes coalizões uma contra a outra, e não uma colaborando com a outra.

Não tô dizendo que a gente não precisa de competição. É claro, é evidente que a gente precisa de competição. Mas a gente precisa de mais ética do que de competição. E aí as escolas de negócio falharam. Elas tiraram a ética pra colocar pesquisa operacional.

A Moral da História

O administrador de hoje sai das escolas de negócio cheio de livros texto de Porter e Kotler, que ensinam como competir em um mercado saturado.

Esses livros tem páginas de modelos matemáticos e prescrições gerenciais. Se seu mercado é saturado, você precisa se diferenciar em custo ou em valor.

Mas em nenhuma parte desses livros, existe uma linha sequer sobre ética. Sobre o reconhecimento de que somos todos humanos, e estamos no mesmo barco.

Se estamos no mesmo barco, um furo só no casco vai afundar todo mundo, bicho.

“Caio, não seja inocente, o mundo dos negócios é um mundo cão”. É mesmo, cara. E isso é ridículo. Veja o que você tá falando. E veja se é isso que você quer ensinar pro teu filho ou pra tua filha.

Veja se o que você quer ensinar pros teus filhos é que o mundo das empresas, o mundo corporativo é um mundo selvagem, onde é cada um por si e deus por todos. Isso se ainda existir deus, porque deus não é capitalista, e daqui a pouco vão taxar ele como sendo de esquerda.

A gente tá enfatizando muito a competição, e pouco a colaboração. Eu sou como você, cara. Eu aprendi tudo isso, e quero mudar a perspectiva das coisas, bicho.

A gente precisa de mais filosofia e menos matemática. Mais gestão e menos gerencialismo. Mais colaboração e menos competição.

Eu vou ensinar isso pro meu filho.

Se você curtiu e concordou com isso, eu já te flagrei.

Se você gostou disso que eu falei, você faz parte de um grupo. Não fique acuado. Vamos nos unir.

Toda sexta-feira, eu mando um email para um grupo de pessoas que pensa exatamente assim.

Esse pessoal leu o que eu escrevo aqui, concordou, e quis mais. Quis saber como ajudar nesse projeto. Quis se envolver e se multiplicar. Já somos mais de 200 pessoas, cara.

Esse pessoal recebe uma vez por semana algumas dicas (todas baseadas em ciência) de desenvolvimento pessoal. E isso tem um poder imenso, bicho.

Porque quando você se desenvolve, você gera desenvolvimento ao seu redor. Nenhum modelo matemático prevê isso. É como as pessoas se comportam. É uma mudança que começa pelas pessoas, até chegar lá em cima.

Faça parte disso, cara. Você tá precisando. Tua família tá precisando. A nossa comunidade tá precisando.

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REFERÊNCIAS

Locke, R. R., & Spender, J. C. (2011). Confronting managerialism: How the business elite and their schools threw our lives out of balance. Zed Books Ltd..

Taleb, N. N. (2007). The black swan: The impact of the highly improbable (Vol. 2). Random house.

Photo by Jonathan Harrison on Unsplash

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