Escolha o seu personagem: Quem você quer ser pra ser mais feliz?

Uma das frases que mais marcou a minha infância, e a de muitos meninos, é a frase em inglês: “Choose your character”, do jogo Mortal Kombat.

Jogos de videogame te dão como grande diferencial a possibilidade de você escolher o seu personagem preferido. E isso diz muito sobre você.

Você pode ser o mago, o guerreiro, a bruxa, o paladino, enfim. Você entendeu. Essa “gamificação” é maravilhosa, e há tempos vem sido usada na sala de aula e nas empresas.

Mas você pode usar isso a seu favor também, na sua busca pela felicidade. Eu uso isso sempre.

É evidente que eu não escolho entre ser um bruxo um um clérigo, um guerreiro ou um ogro. Eu escolho entre ser otimista e ser pessimista.

Como esse tipo de escolha te faz mais feliz?

Otimismo aprendido

Há algum tempo, eu venho colocando aqui artigos sobre o otimismo aprendido, sendo um grande advogado dessa teoria de Martin Seligman.

Uma vida otimista é uma vida feliz. Isso porque você dá um enquadramento diferente às coisas ruins que acontecem com você.

Uma vida otimista vê coisas ruins como passageiras, ou seja, elas vão passar muito rápido, e daqui 1 mês, ninguém mais vai se lembrar do teu fracasso.

Uma vida otimista vê coisas ruins como locais, ou seja, se você falhou no trabalho, isso não tem nada a ver com seus estudos, com seu relacionamento, ou com a sua família. Tudo de ruim fica preso ao domínio do trabalho, e não atrapalha a sua vida como um todo.

Uma vida otimista vê coisas ruins como culpa dos outros, isto é, se você fracassou em uma prova, você pode não ter estudado o suficiente, é claro, mas a prova poderia estar muito difícil, você não teve tempo de estudar por causa de outras coisas, ou porque a correção foi muito severa.

Esses três elementos – permanência, generalização, e personalização – são os pilares de uma vida otimista. Coisas ruins nunca são permanentes, nem generalizáveis para outras áreas da sua vida, nem culpa exclusivamente sua.

Pessimismo

Por outro lado, o pessimismo tem uma visão mais dura e triste sobre as coisas ruins.

O pessimista tende a ver as coisas exatamente ao contrário do que o otimista. Tudo é permanente, tudo vai ser generalizado e transbordar para outras áreas da sua vida, e tudo é culpa sua.

Existe um lado útil em ser pessimista também. Os otimistas, como eu gosto de imaginar que sou, geralmente vivem em sonhos e em ilusões. Os pessimistas, por outro lado, tem dois pés fixos na realidade dos fatos.

Sonhos e ilusões trazem felicidade. A realidade é dura e fria.

Uma escolha difícil

É difícil fazer a escolha entre pessimismo e otimismo. Mas o importante, a ênfase aqui não é nessa dicotomia.

A ênfase é na escolha.

Uma das chaves para a felicidade, para Seligman, é o seu poder de escolher. De trocar de estados mentais rapidamente, conforme a situação.

Por exemplo, vamos supor que você tenha feito uma entrevista de emprego, e não te chamaram pra vaga. Você tem duas opções de reação.

A primeira é uma reação otimista. Você passa por cima, sabendo que precisa se esforçar mais para achar um emprego. Você quase que ignora essa vaga que perdeu, focando nas demais. Essa perspectiva te blinda de qualquer infelicidade.

A segunda é uma reação pessimista. Você fica ruminando a rejeição e fica triste. Você se sente mal.  Você fica procurando as suas falhas, e descobre que tem que comer muito feijão para conseguir um emprego. Você consegue ver o que precisa melhorar.

As duas abordagens tem a sua utilidade. A primeira não deixa você ficar infeliz com a perda do emprego. A segunda te mostra todas as suas falhas e pontos que precisa melhorar.

Choose your character.

Otimismo Flexível

Nessa e em outras situações, o melhor a se fazer é empregar um otimismo flexível.

Enquanto o otimista sempre vive em um mundo lindo de ilusões, e o pessimista sempre vive em um mundo duro e frio, a maioria esquece do meio termo.

E isso parece ser uma coisa natural. A gente parece ter dificuldade em processar os tons de cinza entre o branco e o preto. Os espectros políticos entre a esquerda e a direita.

Mas a gente precisa aprender a ser feliz, e para isso, precisamos ser otimistas flexíveis. Ou seja, precisamos saber que quando tomamos decisões importantes, ou analisamos alguma coisa, não podemos ser totalmente otimistas, sob pena de não tomar as decisões certas.

Nem podemos ser totalmente pessimistas, sob pena de ficar paralisados pela depressão que as coisas podem nos causar.

Você tem a liberdade pra escolher quando você quer ser otimista quando julgar que menos tristeza é o melhor caminho. Você pode também escolher ser mais pessimista, quando julgar que precisa de uma melhor análise dos fatos.

Me lembro quando escrevi um email sobre auto-estima e personalização das coisas ruins, e uma pessoa me respondeu que se tratava de uma coisa perigosa.

É muito perigoso jogar a culpa para os outros ou para as circunstâncias. Isso pode te impedir de ver a cagada que você tá fazendo. Por outro lado, isso te blinda da infelicidade de saber que você tá fazendo cagada.

O otimismo não se trata de enganar a você mesmo. Se trata de olhar com outros olhos as situação que aconteceu. Se trata de perceber que tudo passa, de que tudo está em constante mudança, e que sempre vai ter o amanhã depois de hoje.

Se trata de perceber que seu trabalho é uma coisa, sua carreira é outra, sua família é outra, e você é outra totalmente diferente. Se trata de perceber que é impossível atribuir toda a culpa de alguma coisa a você mesmo, justamente porque não temos a capacidade de analisar todas as variáveis de um fenômeno.

O otimismo flexível, em contrapartida, reconhece tudo isso, mas te dá indicações claras de onde você falhou, do que você precisa melhorar, e qual foi a sua culpa no fracasso.

Apesar de tudo ser passageiro, o presente é importante. Apesar de sua vida ter várias faces, ela é uma por inteiro. Apesar de tudo ser complexo e não podermos atribuir 100% de culpa para um fator, você pode ter a maioria da culpa.

Mais uma vez, o equilíbrio ganha dos extremos. Cabe a você escolher o seu personagem na hora que convier. Choose your character.

Aproveite e escolha um personagem legal pra ser mais feliz. O personagem que recebe um email meu por semana, falando sobre desenvolvimento pessoal.

São cerca de 200 pessoas que conversam comigo toda semana, direto por email. Eles entram em contato comigo de uma forma muito natural, até por whatsapp.

Elas recebem o que seria o melhor artigo sobre desenvolvimento pessoal. E eu esclareço todas as dúvidas que elas tem, ajudo no dia a dia delas, e dou meus pitacos baseados em ciência sobre as decisões que elas fazem.

E é de graça. Se você tá aqui, tá procurando se desenvolver. O próximo passo, natural, é se inscrever clicando aqui embaixo.

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REFERÊNCIAS

Seligman, M. E. (2006). Learned optimism: How to change your mind and your life. Vintage.

Dweck, C. S. (2008). Mindset: The new psychology of success. Random House Digital, Inc.

Vaynerchuk, G., & Vaynerchuk, G. (2011). The thank you economy. New York: Harper Business

Photo by Oliver Roos on Unsplash

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