3 Maneiras de Lidar com Pensamentos Ruins

No artigo “Quer ser mais feliz? Pare de ser uma Vaca.” eu disse pra você que, basicamente, a gente precisa parar de ruminar pensamentos

Você sabe, vacas são seres ruminantes, elas comem a graminha, engolem, vomitam, mastigam, mastigam, mastigam, mastigam, e só depois de um bom tempo, engolem de novo.

Seres humanos também são seres ruminantes, e essa é uma característica evolutiva nossa. As coisas ruins tendem a ficar na nossa cabeça por um bom tempo até que consigamos superá-las. Elas acontecem, são processadas, e o nosso pensamento fica mastigando, mastigando, mastigando…

Isso parece acontecer por causa de razões evolucionárias. Imagine em um mundo totalmente primitivo, onde fomos feitos pra viver. Precisamos de um sistema para lembrar o que é perigoso e o que não é, sob pena de morrer, certo? Então. Tá aí o sistema.

A gente evoluiu construiu a sociedade de hoje, e não precisa mais disso. Hoje, isso causa o que chamamos de depressão, na verdade. 

Mas há uma saída. Três na verdade.

Essas são as três maneiras de lidar com pensamentos ruins:

Distração

Como se fosse fácil assim né? 

Já falei, somos seres ruminantes de pensamentos por natureza. É muito difícil se livrar de pensamentos de que nada dá certo, de que falhamos, do que poderíamos ter feito diferente, enfim.

Se eu falar para você pensar em uma torta de maçã bem quente com uma bola de sorvete de creme em cima, fazendo um contraste maravilhoso de temperatura e sabor, mesmo que você não queira pensar na torta, o que tá na tua cabeça?

Continue pensando na torta. Agora imagine outra coisa, qualquer que ela seja. Pense no seu trabalho, pense nesse texto e no que eu falei aqui em cima, pense na sua família. A torta vai sumindo, até você não se lembrar mais dela.

Uma técnica mais imediata, que eu vou começar a tentar, é a do elástico no pulso. E eu acho que ela pode servir pra concentração também.

É uma técnica que atores usam quando precisam mudar rapidamente de personalidade. Por exemplo, chegaram no estúdio, se vestiram, e agora os atores precisam virar outra pessoa para gravar. O que eles fazem?

Eles tem um elástico de dinheiro no pulso. Quando precisam redirecionar a atenção, eles esticam e soltam o elástico bem forte no pulso. Um estímulo físico, principalmente de dor, rouba toda a sua atenção. 

Outra técnica efetiva é você agendar um tempo depois para lidar com o que você tá pensando (isso também é excelente pra organização).

Quando você pensar em uma coisa ruim, agende um horário pra lidar com ela. Às 18h, por exemplo. Enquanto as 18h não chegarem, afirme pra você mesmo que o próximo horário pra pensar nisso é às 18h, não agora.

Junto disso, escreva. Coloque no papel a sua preocupação e a coisa ruim. A combinação de colocar no papel elimina a razão de ser da ruminação – te lembrar que alguma coisa foi ruim pra você não ficar em perigo.

Se você conseguir se distrair daqueles pensamentos que te fazem mal, já deu um bom primeiro passo. Já enfraqueceu, e muito, esses pensamentos. O próximo passo é eliminar eles por completo

Desafio

Discuta com os seus pensamentos ruins. Você invariavelmente vai questionar o que aconteceu (a adversidade), o que você acredita que aconteceu (a crença), e as consequências do que aconteceu.

Já falei aqui que a adversidade, a crença, e a consequência são as três maneiras com as quais você encara a vida. Você interpreta e tenta dar sentido para as coisas, e as vezes o sentido que você dá pra elas tá totalmente errado, cara. 

Leia mais sobre isso aqui: Como 3 letras mudaram a minha vida (e podem mudar a sua)

Mas indo em frente, vou te dar um exemplo de como desafiar esses pensamentos ruins, adicionando mais duas letras ao ACC de adversidade, crença, e consequência. D e R. Desafio e Resultado.

  • Adversidade: Ir mal numa prova
  • Crença: Sou o pior da sala. Sou burro. Sou muito velho/muito novo. Vou ficar sem emprego porque sou muito velho/muito novo. É tarde/cedo demais pra mim.
  • Consequência: Me sinto totalmente inútil. Totalmente descartável. Totalmente envergonhado, triste, chateado. Vou desistir.

Se a consequência das suas crenças te levam a desistir, você precisa dar uma crença diferente para o que aconteceu. Isso implica em desafiar a crença. No mesmo exemplo, pode ser assim:

  • Desafio: Eu não tô sendo razoável. Eu esperava tirar 10 mas tirei 7. Isso não é ruim. Eu não fui o melhor, mas também não fui o pior. E isso não tem nada a ver com a minha idade. Minha idade não significa que eu seja melhor ou pior. Eu posso ter ido mal porque tô trabalhando demais e tenho outras coisas na minha cabeça. Agora eu sei quanto eu preciso estudar pra tirar uma nota melhor. E também eu não preciso me preocupar com emprego agora, eu vou me preocupar com isso quando o curso acabar. 90% da população tem um emprego, então vai ser tranquilo sair disso.
  • Resultado: Você se sente melhor e aceita o que aconteceu sem julgar negativamente. Você não vai mais desistir.

Pensar nos desafios e nos resultados dos desafios é que dá esperança de que as coisas melhorarão. E ter esperança é fundamental pra uma vida feliz. Isso porque transforma eventos ruins em coisas passageiras, pontuais, e impessoais. Ou seja, tudo passa, nada vai afetar o resto das suas coisas, e nada é culpa exclusivamente sua.

Distância

Por último, se nenhum desses passos acima deu certo, ou se os dois deram certo e você quer eliminar totalmente seus pensamentos ruins, você precisa se distanciar dessas crenças.

Afinal, as suas crenças são exatamente isso. Crenças. Elas não são fatos. 

Suponha que você seja uma das pessoas mais trabalhadoras da sua empresa. Você cumpre seus horários, bate as suas metas, e é um excelente empregado. Se alguém chega pra você e fala que você é ruim, o que você pensa?

Bom, esse cara só pode estar louco, ou com más intenções. Os fatos falam o contrário.

Se você é uma pessoa bem família, e sempre está junto com as pessoas, dá e recebe carinho, e chega um louco e fala que você é egoísta, por exemplo, você tem fatos pra provar o contrário.

Nas duas situações, você se distancia das críticas e pensa que o cara que tá falando isso simplesmente não sabe do que ele tá falando, certo?

E se esse louco que chega criticando tudo o que você faz for você mesmo?

Muitas vezes, tudo o que pensamos depois de um fracasso, todos os nossos pensamentos ruins, são só ecos e distorções reflexivas. A gente faz isso às vezes, baseado em coisas que aconteceram no passado.

Você sabe que crianças tendem a copiar os adultos. Elas usam o que os adultos falam quando são pequenas pelo resto da vida delas. É como se você instalasse um programa nelas, um script, segundo teorias sociológicas.

E você, sem perceber, ainda tem muito de uma professora da escolinha que te criticou, de um familiar que te criticou. E essas críticas ficam com você.

É essa hora que você tem que dar um passo pra trás e se perguntar se a tua crítica a você mesmo, se o teu pensamento ruim, faz algum sentido, cara. Só porque você tem medo de não achar um emprego, de ser um cara-metade ruim, ou de não ser amado, não significa que isso faça sentido na verdade.

Se distancie. Avalie seu pensamento. E depois vá com tudo pra cima deles, e desafie eles.

A Moral da História

Seligman conta que uma das razões para as pessoas terem comportamentos depressivos, e pra depressão em si, é que a gente fica ruminando as coisas ruins que acontecem com a gente.

A depressão pode ser clínica ou biológica. Se ela for biológica, temos tratamentos e medicamentos. Se ela for clínica e severa ou moderada, temos tratamentos e medicamentos. Se ela for clínica e leve, temos o otimismo e a esperança. 

Temos maneiras de evitar pensar em coisas ruins, em coisas que nos deixam em um estado de depressão, e conseguir passar por cima delas. E esquecer elas. E mudar fundamentalmente a nossa maneira de pensar sobre as coisas.

E isso é baseado em ciência, cara. Grandes amostras de populações inteiras confirmam isso que eu tô te falando.

O otimismo e a esperança são curas e prevenções para a depressão. Isso é um fato.

É por isso que eu escrevo aqui todo dia. Eu acho que mais pessoas deveriam saber disso pra levar uma vida melhor com elas mesmas. 

Aprender isso me levou a perder 50kg, me levou a fazer um mestrado, me levou a viver essa vida que eu tenho hoje, muito melhor do que eu tinha há 2-3 anos atrás.

E eu me sinto na necessidade de compartilhar isso com você. 

E tem mais do que isso. 

Você já viu que tem um presente pra você aqui em cima, no menu. É meu livro sobre estratégia. Eu falo sobre desenvolvimento humano e organizacional, e tenho um livro que fala sobre estratégia organizacional, e que é muito útil para você se conhecer melhor como profissional também.

Eu também organizei um grupo de pessoas que estão constantemente preocupadas com o desenvolvimento pessoal delas, e além desses artigos no blog, eu mando um email semanal pra elas. 

Essas pessoas recebem o email, e elas podem me responder, fazer perguntas, ou só desabafar. Já teve de tudo, cara.

Eu quero te ajudar a se desenvolver. Se você tá passando por uma fase difícil, precisa de uma opinião de quem tá de fora, ou só quer desabafar e saber o que tá escrito na literatura sobre isso, você precisa fazer parte.

Clique Aqui para fazer parte!

REFERÊNCIAS

Seligman, M. E. (2006). Learned optimism: How to change your mind and your life. Vintage

Duckworth, A. (2016). Grit: The power of passion and perseverance (Vol. 124). New York, NY: Scribner

Photo by Tim Wright on Unsplash

2 comentários em “3 Maneiras de Lidar com Pensamentos Ruins

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