Esqueça o que te falaram sobre análise e formulação da estratégia

Eu tenho um segredinho pra você.

Herbert Simon, no ano que eu nasci, já tinha dito incontáveis vezes que nós somos animais “meio” racionais.

“Meio” racionais porque a nossa racionalidade é limitada. Ou seja, a gente não consegue levar todos os fatores de uma situação em consideração antes de agir ou tomar uma decisão.

Como animais “meio” racionais, somos péssimos analistas e formuladores de estratégias.

Como animais, somos bons em tomar atitudes. Não em planejar.

Mas as pessoas tendem a colocar um prêmio na racionalidade. O planejado é muito melhor que o não planejado. Então todo mundo passa uma boa parte do tempo planejando as coisas.

Só que qualquer planejamento serve. Porque a função principal do planejamento é fazer as pessoas agirem. As pessoas agindo, elas estabilizam o ambiente, e fazem a ordem surgir do caos.

Então, esqueça tudo o que te falaram sobre análise e formulação da estratégia. As pessoas prestam atenção demais nisso.

Análise é execução. Antes de executar, você já analisa. E se você ficar analisando, você não executa.

Formulação é implementação. Quando você executa uma vez, você tem um repertório do que funciona e do que não funciona. Você aprendeu. Agora ao invés de ficar formulando, você implementa o que você aprendeu.

É por isso que…

Qualquer plano é um plano.

Seu planejamento estratégico, de vida, da empresa, da sua família, da sua viagem, etc, não precisa ser minucioso e exato.

Na verdade, ele não deve ser minucioso e exato. Isso gera stress e faz você focar em outras coisas menos importantes do que agir.

Ou você quer ficar controlando a hora que você almoça em uma viagem, ao invés de comer quando tiver fome?

A definição de objetivos deve ser clara e sucinta. Não precisa nem deve ser meticulosa e exata.

Essa abordagem minimalista é o que habilita as pessoas a agirem. Uma vez que elas entendem pra onde precisam ir, onde que precisam chegar, elas vão começar a caminhar.

Você sabe o que precisa fazer e onde precisa chegar. Não precisa ficar correndo atrás do próprio rabo pensando em como você vai chegar lá. Você nunca vai chegar lá se não começar a agir.

Mais ação, mais resultado.

E essa foi uma das principais razões pela qual eu tinha uma puta resistência em empreender.

Porque quando eu abri minha primeira empresa, eu fiquei MUITO tempo planejando. Afinal, planejar é essencial, não é?

Então eu planejei. Eu fiz incontáveis canvas, montei um mapa da empatia, fiz o balanced scorecard, estabeleci metas, fiz o plano de marketing, o plano financeiro, fiz todos os tipos de planos que me ensinaram na faculdade de administração.

E eu me assustei quando todos os planos foram por água abaixo quando eu abri a empresa e não vendi nada.

O papel aceita qualquer coisa, bicho. Como diria um professor meu: “eu nunca vi papel higiênico gritando e pedindo socorro”.

As coisas que você coloca no papel, tentando prever situações futuras, são só desperdício de tinta de caneta, tinta de impressora, tempo, e esforço.

Hoje, por exemplo, eu tenho um objetivo com isso que eu tô escrevendo aqui pra você. Tenho um deadline. Tenho um titulo e os subtítulos. Só.

Isso porque eu não tenho tempo de fazer um plano. Eu tô muito ocupado tomando decisões e escrevendo isso aqui.

Eu tô aprendendo com meus erros, eu tô estudando e lendo como posso melhorar. Na verdade, vou te dizer: foda-se o plano.

Você tem um objetivo, e tem que chegar nele. E você vai errar. Vai dar cagada. Coisas ruins vão acontecer. E coisas ruins tem um poder muito grande

O Poder do Erro

É claro que você não deveria colocar zilhões de reais em risco por falta de planejamento. Não é o que eu tô dizendo aqui.

O que eu tô dizendo aqui é que ações cotidianas geram erros que são reparáveis.

E erros geram aprendizado.

E aprendizado é o que te coloca pra frente e te faz evoluir.

Entendeu o poder do erro?

Quanto mais você erra, mais você aprende, e quanto mais você aprende, melhor você se sai no futuro. A matemática é simples, e isso já tá bem pacificado na literatura.

Começou em 1990, com os movimentos de reengenharia. Hoje a gente conhece isso como coisas “enxutas”. Manufatura enxuta, startup enxuta, enfim, os movimentos “lean”.

As pessoas começaram a perceber o poder do erro e começaram a entender que as pessoas e empresas precisam errar pra aprender. Não planejar.

Então erre. Erre pequeno. Erre sem comprometer outras coisas. Erre de propósito e pra aprender coisas  novas. Esses erros é que vão alavancar o seu crescimento depois.

Por isso que a gente tem um movimento para que empresas tentem inovar lançando um mínimo produto viável, ou a crescente ênfase em prototipagem. Ou seja, um produto ruim, em versão “beta” que serve para ver o que que eles erraram.

Consertando os erros, você tem um produto bom.

Muito melhor que planejar, né? Você sabe qual o seu objetivo. Você alcança ele. E você estabelece novos objetivos logo depois de cumprir o seu objetivo. Nada de planejar tudo antes.

Nesse caso, a única coisa que é planejada é o erro.

O prego no caixão dos planos, análises, e formulações

Pela última vez, eu vou dizer que a ação é melhor que o planejamento.

Pra isso, eu vou te contar a história que Karl Weick conta, dos Índios Naskapi.

Os índios Naskapi, pra decidir para que lado vão caçar, tem um ritual interessantíssimo.

Eles pegam o osso do ombro de uma rena, e colocam no fogo. Sob calor, o osso começa a rachar. Assim que o osso racha, os índios conferem a direção da rachadura do osso, e vão caçar para onde a rachadura aponta.

E isso sempre funcionava. Principalmente porque o “planejamento” deles durava pouco tempo, e eles passavam a maior parte do dia caçando. Seria diferente se eles passassem a maior parte do dia planejando em assembléia o que seria feito, não é?

E melhor ainda. Quando eles não conseguiam nada, não era culpa de ninguém. E no outro dia, repetiam o ritual.

O que movia os Naskapi era um objetivo. Caçar para comer. Menos planejamento e mais ação permitiu com que eles sobrevivessem.

O plano era importante. O plano que os Naskapi tinham falava a direção que tinham que ir.

A Moral da História

Qualquer plano é um plano. Quanto menos tempo o plano roubar da ação, melhor.

A função do plano não é eliminar a incerteza, não é prever o imprevisível ou mensurar o imensurável.

A função do plano é fazer as pessoas agirem. É encorajar a ação, a tomada de decisão, o movimento.

É a ação que gera resultados, não o plano. É o movimento que une as pessoas, que dá experiência, e traz sucesso, não o plano.

O plano é uma direção, cabe às pessoas seguirem.

Qual é o seu plano?

Se você tivesse seguindo um plano à risca, eu acho que você não estaria aqui.

Então aproveita, e vamos sair do plano e ir para a ação.

Toda semana, eu mando um email pra algumas pessoas especiais pra mim. Elas lêem o que eu escrevo porque querem desenvolver suas vidas, carreiras, e negócios.

Elas entenderam a importância da ação, e escolheram agir. Elas fazem parte de um grupo que recebe emails meus. Elas escolheram isso, sem planejar, sem pestanejar. Elas só foram lá e se cadastraram.

Eu aconselho que você faça o mesmo. Se teu norte, teu objetivo, é se desenvolver, você tem que passar por aqui.

E de quebra, você ganha o livro que eu escrevi sobre estratégia. E eu não cobro nada por isso.  Clique aqui embaixo de uma vez.

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REFERÊNCIAS

Weick, K. E. (1987). Substitutes for strategy. The competitive challenge211, 233

Vaynerchuk, G. (2013). Jab, jab, jab, right hook. New York City: Harper Collins.

Simon, H. A. (1991). Bounded rationality and organizational learning. Organization science2(1), 125-134

Photo by Smart on Unsplash

2 comentários em “Esqueça o que te falaram sobre análise e formulação da estratégia

  1. BOM DIA CAIOparabens pelo seu esforço, e estudossensacional. a sua colocaçaoestou aproveitando o material na faculdade,sucesso, prosperidadevida longaobrigado por gentileza Caio será que poderia me mandar o seu libro de estrategiaeu baixei ele mas nao sei o que aconteceu sumiulogico se for possivel. desde já agradecido, muito obrigado

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