Os usos do pessimismo – Eu também erro

Em diversos outros artigos aqui, geralmente suportados pelos estudos em psicologia positiva, eu sempre falei que é melhor as pessoas serem otimistas do que pessimistas.

Eu já expliquei aqui, nesses artigos aqui embaixo, o que é ser um otimista, e como que isso te transforma em uma pessoa mais feliz e produtiva:

Nesses artigos, eu explico exatamente sob a tutela do Seligman, como você se transforma em uma pessoa mais otimista.

Já falei que pessoas mais otimistas tendem a ser mais saudáveis e felizes. Ter melhores relacionamentos, melhores empregos, melhores salários, mais resiliência, mais perseverança, etc., etc., etc.

Mas eu confesso que negligenciei os valores do pessimismo e do realismo.

Afinal, se todos fôssemos otimistas, viveríamos em um mundo de faz-de-conta, né?

Pôneis malditos. Os pessimistas estão aqui pra acabar com vocês. E isso pode ser uma coisa boa.

Como a gente equilibra pessimismo com otimismo?

Um pouco sobre pessimismo.

Eu sempre negligenciei o pessimismo aqui, mas chegou a hora dele.

O pessimismo é entendido como uma função da realidade como ela é.

Se em um estado otimista a gente vê as coisas ruins que acontecem como culpa de fatores externos a nós mesmos – logo, a gente não se machuca e segue em frente -, no pessimismo a gente analisa as coisas friamente, sob pena de se sentir mal.

Se em um estado otimista a gente vê as coisas ruins como passageiras e temporárias, confiando em uma profecia auto-realizável, no pessimismo a gente analisa as coisas exatamente como elas são, sob pena de se sentir mal.

Acho que você entendeu a pegada.

No otimismo, que é uma das chaves para a maior produtividade, a gente ignora aquilo que é ruim e potencializa aquilo que é bom.

Essa é, comprovadamente, uma das mais eficazes curas para a depressão que a psicologia contemporânea conhece – a terapia cognitiva.

Entretanto, porém, contudo, todavia, o otimismo vem com uma taxa a pagar. E essa taxa é a negligência da realidade como ela é.

Às vezes, cara, o copo tá meio vazio mesmo, ele não tá meio cheio. Se a tendência é que ele vá se esvaziando cada vez mais, ele tá meio vazio mesmo.

Os benefícios do pessimismo – E os malefícios do otimismo

Na verdade, é bem estranho pra mim pensar em benefícios de ser pessimista, e ainda mais estranho em pensar nos malefícios de ser otimista, mas vamos lá.

Eu consigo facilmente falar sobre todos os benefícios que o otimismo te dá.

Mas eu sou constantemente lembrado pela minha doce Marina de que nem tudo nessa vida são flores.

A Marina se considera uma realista. Nem tanto ao mar, nem tanto ao bar, como diria um professor muito querido pra mim.

Ela é a pessoa mais pé no chão que você vai conhecer. E eu sou a pessoa mais cabeça na nuvem que você vai conhecer.

Não por acaso, as decisões que ela toma são muito mais sábias que as minhas.

Pessimistas e realistas são excelentes analistas e tomadores de decisão.

Enquanto eu como otimista distorço a realidade a meu bel-prazer, só pra me sentir melhor com a vida, é ela que me dá umas comidas de rabo e coloca meus pés no chão.

Enquanto eu como otimista penso que tenho controle sobre tudo que acontece, é ela que me acorda quando eu tenho ilusões de controle sobre as coisas.

Pessimistas e realistas são excelentes em perceber a realidade como ela realmente é. Sem floreios e paisagens maravilhosas.

Graças aos pessimistas, nós como seres humanos chegamos onde estamos hoje.

São eles que sempre previram que depois da bonança vem a tempestade. São eles que são os mais prudentes em analisar friamente as coisas. São eles que são mais sábios, mais inteligentes, exatamente porque eles enxergam o que está na frente deles sem filtros.

Sempre sob pena de se sentir mal. É o preço a pagar.

Imagine uma organização só com otimistas. Eles pensam coisas que ainda não existem, e só pensam nas possibilidades do futuro. É uma receita pro desastre, cara.

O futuro é sim importante, mas o presente é o que temos agora.

Os pessimistas tem um entendimento cirúrgico da realidade – principalmente aqueles no departamento financeiro e os administradores – e todos precisam estar com suas bandeirinhas amarelas na mão.

A Moral da História

Eu sou um grande advogado do otimismo como a melhor saída para uma vida feliz e produtiva. Eu me inspiro na escola de psicologia positiva para acreditar e disseminar isso.

Entretanto, toda generalização é burra, e generalizar que todos deveriam ser otimistas é uma burrice muito grande. 

Provavelmente não estaríamos aqui se algumas pessoas não cultivassem seu lado pessimista dentro de organizações. Não estaríamos aqui sem pessimistas profissionais.

E eu chamo eles de pessimistas profissionais, seguindo Seligman, porque são pessoas que podem sim, ter sucesso na vida, ser felizes, mas nutrem um lado pessimista para florescerem nas suas profissões de controllers, contadores, auditores, e administradores.

Nada que atrapalhe a sua vida. Nada que seja preocupante, ou um grande preditor de depressão e outros males emocionais e psicológicos. 

Se eu pudesse fazer com que uma ideia desse artigo ficasse na sua cabeça, seria:

Otimistas são mais felizes, isso é provado pela ciência. Mas isso não significa que pessimistas não são felizes. Pessimistas podem sim ser felizes, e são tão importantes quanto otimistas na nossa sociedade. Precisamos de mais pessimistas. Entretanto, mais uma vez, o equilíbrio é que é a palavra-chave.

E essa parte do equilíbrio é sempre complicada. A vida inteira a gente procura por equilíbrio entre, digamos, vida pessoal e vida profissional. Entre comer bem e comer lixo. Entre estudar e trabalhar.

Não é difícil chegar no equilíbrio. É difícil mudar para chegar no equilíbrio. Sair da zona de conforto. O otimismo te ajuda nisso.

Eu te ajudo nisso, cara. 

Aqui no meu site, eu já publiquei mais de 80 artigos sobre desenvolvimento humano e organizacional, foram mais de 80 mil palavras escritas em 2 meses.

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REFERÊNCIAS

Seligman, M. E. (2006). Learned optimism: How to change your mind and your life. Vintage

Seligman, M. E., & Csikszentmihalyi, M. (2000). Positive psychology: An introduction (Vol. 55, No. 1, p. 5). American Psychological Association.

Photo by rawpixel on Unsplash

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