8 Dicas para Gamification (ou gamificação)

As pessoas sempre ficam extasiadas quando eu falo que eu fiz um curso de Gamification de graça na Universidade da Pennsylvania.

Um amigo, que é coordenador de uma pós, até me chamou pra eu dar um módulo sobre Gamification em uma faculdade.

Mas cara, eu fico meio assim, porque pra mim parece tão tranquilo, tão natural encarar as coisas como um jogo.

Talvez seja porque eu tenha feito um curso e estudado bastante sobre isso. Mas pra mim tudo é um jogo.

Um Jogo?

É, um jogo.

Por exemplo, eu encaro escrever aqui todo dia como um jogo. Cada post é uma fase do jogo, assim como as fases do Super Mario no Super Nintendo.

O maior objetivo é me tornar conhecido no mundo inteiro pelo que eu escrevo sobre desenvolvimento humano e organizacional. No Super Mario, o maior objetivo é resgatar a princesinha (Peach) do Bowser (o dinossauro que parece uma tartaruga).

Quando eu leio, eu encaro cada capítulo do livro como uma fase. Eu aprendi a “jogar” melhor em cada um desses capítulos. Assim como numa fase do Super Mario, onde você aprende novas técnicas para passar as outras fases.

Enfim, essa é a minha maneira natural de ver um jogo.

Todo jogo tem regras, é claro. Vamos ver como a gente coloca isso nas empresas.

As Regras do Jogo

Para a sua empresa ter um jogo, você precisa estabelecer as regras para os jogadores (seus funcionários).

O jogo não tem graça sem regras. Se você pudesse ir direto para a fase final contra o Bowser, acabaria o jogo muito rápido, e você perderia toda a fase de desenvolvimento do personagem.

Pense em um RPG, por exemplo. Cara, não tem graça ir para o final feliz sem passar pelos altos e baixos, pelas fases, pelos desafios.

O Mario não pode voar (a não ser em fases específicas). Você tem alguns comandos que pode fazer, mas existem mais restrições do que todo resto. Se você não pula antes do inimigo vir para cair em cima dele, o inimigo vai te comer e te tirar uma vida. Simples assim.

O jogo é uma estrutura muito parecida com a estrutura da sua empresa. Tem coisas que as pessoas podem fazer, e tem coisas que as pessoas não podem fazer. Tem coisas que tiram a vida da sua empresa, e tem cogumelos grandes que dão vidas para a sua empresa.

Exatamente como no Super Mario.

Mas vamos ver as regras básicas para fazer um jogo na sua empresa.

1. O jogo vem antes

A estrutura do jogo vem antes de tudo.

Nenhum jogo se adapta ao jogador. É sempre o contrário, o jogador se adapta ao jogo.

Da mesma maneira, você tem que construir um jogo, e os jogadores tem que se adaptar a ele.

O jogo é a estrutura da sua empresa. E tenha muito cuidado. Você não pode fazer um jogo que mate a criatividade das pessoas.

Então, por exemplo, o jogo tem que ser jogado dentro da empresa, e cada departamento tem uma parte no jogo. É um grande RPG. Não um Super Mario, com um super herói na empresa inteira.

2. Você tem que querer jogar o jogo

Você tem que ser o maior patrocinador do jogo se o troço for sério. Se você for “bom demais” pra jogar o jogo, esqueça, bicho.

Você faz parte do jogo. E não adianta você dizer que o jogo começa todo dia com uma reunião geral dos jogadores se você não está nessa reunião.

Aprenda com o banco imobiliário. Todos tem que estar presentes para o jogo acontecer. Você é o “banco”, e se você não estiver ali, o jogo não roda.

3. Você tem que ganhar o jogo sem que ele termine

Assim como no banco imobiliário, no Super Mario, e nos RPGs, você tem diversas maneiras de ganhar o jogo. Mas o jogo sempre continua.

No banco imobiliário você compra as propriedades. No Super Mario você passa de fase. Nos RPGs você completa quests e fica cada vez mais forte.

Na literatura, as pessoas chamam isso de PBL – Prizes, Badges, and Leaderbords. Ou seja, prêmios, distintivos, e classificação.

Na sua empresa, dê prêmios para os jogadores que passarem de fase. Não precisa ser financeiro. O exército faz isso muito bem colocando insígnias no terno dos que foram pra guerra, ou completaram um treinamento.

E é claro, junto com isso vem a noção de quem conseguiu mais ou conseguiu menos. Isso pode parecer algum tipo de assédio, mas a classificação dentro da sua empresa não precisa mostrar o último colocado

Você pode fazer uma tabela de líderes com os 5 melhores no jogo, com os 10 melhores, enfim. O efeito esperado é que isso seja uma motivação pros que não estão na classificação dos melhores trabalhem para estar lá.

4. Mude o jogo às vezes

Você já enjoou de um jogo. Se você jogar o mesmo jogo todo dia, porra, é um saco, bicho.

Por isso você precisa mudar o jogo. Nunca a estratégia dele, que é o coração da tua empresa, mas sim os objetivos.

Se o teu jogo tiver sempre como objetivo conseguir mais dinheiro, eu não dou dois meses pra tua estratégia de Gamification dar errado.

Agora, se o teu jogo tiver como objetivo desenvolver as pessoas da tua empresa, conseguir fazer coisas grandiosas dando o crédito para os melhores jogadores, isso em todos os departamentos, cara…

Você tem uma oportunidade de integração nunca vista antes. E o dinheiro vem como consequência.

5. Sempre reforce que tudo é um jogo

Provavalmente é a primeira vez que você tá lendo sobre gamification. E se você ler isso e nunca mais se lembrar que tudo é um jogo, vai esquecer.

Seus funcionários vão agir da mesma maneira. Se você falar pra eles uma vez que tudo é um jogo, ok. Legal. Bacana.

Amanhã todo mundo esqueceu e é o trabalho de sempre.

Faça uma reunião sobre o jogo toda semana. O jogo não existe sozinho. As pessoas tem que jogar ele. Dê nomes diferentes para as coisas.

Por exemplo, nas minhas aulas, eu falo que todos os alunos começam com nota 0, e vão merecendo pontos conforme o semestre passa. Sempre que eles completam uma fase, a nota deles sobe.

Eu passo mais trabalhos no semestre. Geralmente coisas mais simples, mas valendo 0,5 pontos. Tipo um texto sobre proposta de valor, outro sobre relacionamento com o cliente, e assim vai. Quanto mais referências, mais pontos.

O objetivo da aula (jogo) não é passar. É conseguir muitos pontos.

Compare isso à avaliação tradicional de uma prova valendo 7 e um trabalho valendo 3. Compare ao objetivo de passar, contra o de acumular pontos que são mensurados por livros lidos, absenteísmo, etc.

6. O jogo tem que fazer sentido

O jogo precisa ter uma razão para existir, cara. Não adianta nada você enfiar um jogo que você inventou guela abaixo das pessoas.

E aí que geralmente a galera que tenta implantar a gamificação faz cagada, porque ache que é só ter um quadro de líderes que tá tudo certo.

Se o objetivo do jogo for ganhar dinheiro, seu jogo não vai durar 2 dias.

Agora, se o objetivo do jogo for social, for de desenvolvimento, e tiver um significado maior pras pessoas, aí sim, você tem um jogo que faz sentido.

Ninguém nunca jogou um jogo porque ia ganhar dinheiro com isso.

Quer dizer, jogou sim. Jogos de azar, com pouco envolvimento emocional, cujo maior ingrediente é a emoção e comprometimento de curto prazo.

7. O jogo tem que ser legal

Claro que ele tem que ser legal. Mas não sempre.

Uma das minhas maiores frustrações da adolescência foi jogar um jogo do DragonBall Z no Playstation. Eu não conseguia nunca passar de um cara. Ele sempre me arrebentava.

O Caio com 15 anos ficava frustrado, puto, quase quebrava o controle tentando ganhar do Cell (o nome do lazarento do inimigo).

O jogo não estava divertido. O jogo estava ganhando de mim a cada tentativa frustrada. mas eu não desistia. Eu continuava tentando. Eu falava com os meus amiguinhos que já tinham passado de fase para pegar dicas. Eu ia atrás na internet.

E eu fazia isso porque o jogo era muito divertido. E eu não ia desistir de me divertir ainda mais só porque o inimigo me arrebentava toda vez.

Agora, imagine se você consegue fazer com que um funcionário teu tenha essa mesma resiliência? E por que ele faria isso?

Porque o jogo é divertido. É uma questão de honra passar de fase. Não existe outra maneira. Tem que dar.

8. Se você não consegue pensar em um jogo, não desista

Pensar em um jogo também é um jogo.

Hein?

Tá, forcei a barra. Mas enfim. Não desista. Tente roubar um jogo. Adapte. Vá atrás. Pesquise.

Quer umas dicas? Pode falar comigo!

Comece fazendo parte da galera que recebe uma dicas minhas por email. Eu escrevo a parte de desenvolvimento humano para eles, e sempre recebo feedbacks muito legais.

Com esse pessoal eu tenho um contato mais direto, e não cobro nada por isso. É claro que algumas perguntas são mais complicadas que outras, mas não é nada que uma boa conversa não resolva!

E nunca se esqueça que o teu desenvolvimento também é um jogo. Em que fase você tá?

Clique Aqui para fazer parte!

REFERÊNCIAS

Gerber, M. E., & Gerber, M. E. (2005). The E-myth revisited. Harper Collins Publishers

Deterding, S., Sicart, M., Nacke, L., O’Hara, K., & Dixon, D. (2011, May). Gamification. using game-design elements in non-gaming contexts. In CHI’11 extended abstracts on human factors in computing systems (pp. 2425-2428). ACM

Hamari, J., Koivisto, J., & Sarsa, H. (2014, January). Does gamification work?–a literature review of empirical studies on gamification. In 2014 47th Hawaii international conference on system sciences (HICSS) (pp. 3025-3034). IEEE

Photo by Ugur Akdemir on Unsplash

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