Como resolver conflitos se comunicando melhor (em organizações e relacionamentos)?

No mundo do trabalho, não basta você pensar só em você mesmo.

Assim como em um relacionamento qualquer, você tem 3 partes envolvidas, pelo menos:

  1. Você tem você mesmo, já com seus anseios, suas vontades, seus sonhos.
  2. Você tem os seus colegas, ou o seu parceiro, seu sócio, que também tem seus próprios anseios, vontades, e sonhos.
  3. E por último, você tem o “vocês”. O casal, a organização. Esse último também tem seus anseios, vontades, e sonhos.

Em organizações pode ser mais fácil, uma vez que os anseios, vontades, e sonhos estão claros na missão e visão. Mas de qualquer maneira, você tem que trabalhar com mais pessoas.

Essas três partes tem mentalidades, ou mindsets. Você pode acreditar que você foi feito para trabalhar com seu parceiro, com seus colegas, ou que você foi feito pra trabalhar na sua organização, em um processo sem esforço nenhum.

Afinal, você parece ter nascido para estar onde está. Ou não.

Ou você pode estar infeliz, assim como um casal que não se ama há tempos. As frustrações são muito parecidas.

Mas como resolver todos esses conflitos, tanto internos quanto externos, com a comunicação?

Compatibilidade Instantânea

Todos nós somos, desde pequenininhos, levados a acreditar que tudo vai dar certo sem que a gente perceba.

Afinal, a Cinderella tinha uma porcaria de vida, até chegar o príncipe encantado. A Branca de Neve estava morta até o príncipe beijá-la.

Como em todos os contos de fadas, eles viveram felizes para sempre como o resultado do acaso. Eles nasceram um para o outro.

O problema é que isso só acontece nos contos de fada. Só acontece na Disney, e talvez por isso a Disney venda tanto. Eles nos vendem sonhos, coisas irracionais, mas que a gente deseja profundamente.

Na realidade, as coisas não acontecem assim. Temos que trabalhar e nos esforçar para as coisas darem certo. Sem trabalho e esforço, tudo dá errado.

Ninguém foi feito um para o outro. A gente se adapta conforme a situação. Dança conforme a música. E assim seguimos dentro das organizações.

Por isso a gente tem que se comunicar muito bem, seja em um relacionamento amoroso, seja dentro das organizações.

Muitas pessoas esperam que tenhamos a habilidade de ler a mente dos outros – afinal, fomos feitos um para o outro, não é?

Mas as pessoas não podem esperar que coisas boas aconteçam com um pouco de pó da fada madrinha. Acreditar que tudo vai se resolver se você ficar parado é tão sem sentido quanto acreditar que seus colegas, seu chefe conseguem ler a sua mente.

O primeiro passo para resolver qualquer conflito é ter ciência de que ele existe. E lembre-se que o problema não é uma pessoa. O problema é uma situação que acontece entre pessoas.

Concordância Natural

Boa parte da comunicação em organizações trata de maneiras de atingir um objetivo que vai contribuir para a missão, certo?

Mas as pessoas acham que se elas concordam com a missão, elas concordam (ou deveriam concordar) com todo o resto.

É uma noção parecida com a habilidade de ler a mente daqueles que estão juntos com você.

Más notícias: é impossível que duas (e quem dirá mais de duas) pessoas compartilhem todas as expectativas e premissas que guiam a ação delas.

Mas ninguém parece aceitar que as pessoas devam discutir crenças e princípios em organizações. Afinal, crenças e princípios são universais, não é mesmo?

Sem esse tipo de comunicação, o “felizes para sempre” nunca vai acontecer. Na verdade, o “felizes para sempre” tanto em organizações quanto em relacionamentos não acontece do nada.

É resultado de muito trabalho, muita conversa, e muita discussão.

Falhas Incorrigíveis

Quando algo de ruim acontece, ao invés de tomar responsabilidade pelos problemas (diferente de tomar a culpa), algumas pessoas tendem a culpar os outros, o parceiro, o colega, o chefe.

Uns culpam os outros em um jogo de batata quente infantil. “É impossível trabalhar com ele por que ele é incompetente”, “ele pode ser incompetente, mas você é burro”, “eu posso ser burro, mas ele é pior”, “antes burro do que vagabundo que nem o outro”, e assim vai.

Isso não leva a nada, bicho. Você sabe disso.

Nesse caso, o pior acontece. Toda a relação (ou a organização como um todo) vai pro saco.

Você generaliza os erros e as cagadas NA relação (seja pessoal ou de emprego) como erros e cagadas DA relação.

Uma pessoa com a mentalidade de crescimento, já dizia Dweck, não confronta as outras pessoas, nem culpa as outras pessoas. Ela confronta e tenta resolver o problema, a situação.

Pensar sobre o que está errado, pensar sobre o problema ao invés de pensar sobre quem causou o problema, te dá muito mais vantagens sobre a metralhadora de culpas que você tira do bolso em uma mentalidade fixa.

Escolha o seu problema

Assim como escolher o par perfeito, escolher a organização que você vai trabalhar é escolher o problema que você quer enfrentar.

E por problemas, entenda as coisas que podem te irritar, mas que podem ser resolvidas com comunicação. Todos tem limitações. Todos tem falhas, manias, vícios, etc. Ninguém é perfeito para você.

Não espere que você não vai precisar trabalhar pra um relacionamento dar certo (qualquer que ele seja). Não espere que as coisas venham fáceis até você. Mesmo em um trabalho esporádico, você vai ter que se esforçar em um nível emocional para as coisas darem certo.

Pare de agir como se tivesse inimigos

Ninguém tem inimigos. Pouquíssimas relações começam com um soco na cara ou com uma ofensa pessoal. A grande e esmagadora maioria delas começam com um aperto de mãos ou um abraço.

O problema é que as pessoas, ao primeiro sinal de que algo ruim aconteceu, tiram a metralhadora de culpa do bolso, e no melhor estilo Stallone em Rambo, começam a atirar para todos os lados.

Afinal, é muito mais fácil atirar a culpa para os outros do que assumir a culpa. A gente tem uma tendência a se defender, fechar a casca da nossa redoma mental e dizer “Não é culpa minha!”.

Parte disso acontece porque se você para de culpar os outros e começa a perdoar, você abre a sua guarda, e faz a troca que não deveria ser feita: “se a culpa não é dele, a culpa só pode ser minha”.

A questão é mais complexa que isso. Colocando em uma maneira simples, em qualquer relacionamento, você tem controle de 50% do que acontece.

Colocar a culpa nos outros é como derrubar um sorvete da casquinha no teu sapato porque alguém esbarrou em você. Você pode ficar muito puto e culpar a outra pessoa por ter nascido. Mas você pode culpar o quanto quiser a outra pessoa – o teu sapato ainda vai estar cheio de sorvete.

Colocar culpa é fácil. O difícil é resolver o problema. Enquanto as pessoas continuam a metralhar culpa por aí, o problema continua a existir.

Pra resolver o problema, guarde a metralhadora de culpa no bolso. A culpa nunca é de uma pessoa só. A responsabilidade é sempre coletiva.

A Moral da História

Eu me estendi um pouco nesse artigo porque eu acho que é uma coisa que me acometeu muito durante a minha vida. E foi uma lição muito importante que eu aprendi com a minha noiva.

Ela tem uma mentalidade de crescimento, e me ensinou isso. Resolver problemas é muito mais eficaz, e funciona muito melhor do que culpar os outros ou a si mesmo.

A partir do momento que você redefine “culpa” como “responsabilidade”, as coisas mudam de figura, e você percebe que todos tem uma fatia da responsabilidade.

A partir do momento que você percebe que todo e qualquer relacionamento requer esforço para acontecer e continuar, você começa a se esforçar mais para eles darem certo.

E é muito provável que outra parte, vendo que você está se esforçando mais, também comece a se esforçar mais.

E se isso não acontecer, você pode ficar tranquilo. Você cumpriu com a tua responsabilidade. Não tem nada de errado com você. Você tentou, trabalhou, se esforçou, mas você não pode mudar os outros.

E falando em mudança, se você tá nesse site aqui é porque você está procurando por ela, né?

Afinal, ninguém entra num site de desenvolvimento pessoal e organizacional se tudo tá perfeito.

Você quer desenvolvimento, e eu tenho uma coisa muito legal pra vc. Nesses meses de site, a gente construiu uma comunidade que recebe alguns emails meus durante a semana.

São emails sobre desenvolvimento humano e organizacional que eu mando, e essas pessoas discutem comigo sobre o que eu escrevi. Eu mando meu feedback pra elas e tal, essa troca é bem legal, cara.

Dá uma olhada, eu tenho certeza que você vai gostar. E é de graça!

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REFERÊNCIAS

Dweck, C. S. (2008). Mindset: The new psychology of success. Random House Digital, Inc..

Seligman, M. E. (2006). Learned optimism: How to change your mind and your life. Vintage

Photo by Jason Rosewell on Unsplash

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