Como as grandes consultorias resolvem qualquer problema na sua organização. Parte 1 de 2.

Sabe o que significa BCF?

Eu achei bem engraçado, na verdade. A academia tende a ser sisuda e maçante, mas Waisberg e Nelson (2018) deram uma descontraída.

Eles estudaram uma empresa grande de consultoria, que estava prestando serviços para uma rede de hospitais, e explicaram o método BCF para resolver problemas organizacionais.

BCF são as iniciais de “Big Consulting Firm“, ou empresa grande de consultoria.

Tá, não foi tão engraçado assim, mas é uma excelente coisa que os nossos pesquisadores estejam pelo menos tentando ser mais acessíveis!

O que eles querem dizer com BCF é que o método é mais ou menos padronizado nas empresas de consultoria, como eu disse no último post.

E essa padronização gera alguns desafios pra todo mundo, e não é legal para as empresas que contratam consultoria.

Não é legal porque a partir do momento que você tem uma solução “de prateleira“, isto é, uma solução igual pra todo mundo, você acaba não resolvendo o problema de ninguém.

Já ouviu falar naquela máxima de que “nem Jesus agradou todo mundo”? Então…

As pessoas tendem a pensar que gestão organizacional é o mesmo que gestão remedial.

Vamos pegar um exemplo. As farmácias do Brasil vendem remédios nas prateleiras. Você não precisa mais da ajuda de um farmacêutico ou de um médico para comprar, digamos, um Advil.

E o Advil é uma solução rápida e fácil (de prateleira) para a sua dor de cabeça.

Mas o que todo mundo esquece, é que o Advil não deveria ser usado por pessoas com problemas estomacais e de esôfago (boa parte da população)

Isso sem dizer que tomar um medicamento sem ir no médico antes pode ser perigoso, afinal, como você pode saber se a sua dor de cabeça não é um sinal de, digamos, uma inflamação do nervo trigêmeo?

Por isso eu sempre critico as soluções de prateleira para as empresas. Elas não são soluções. São pequenos aliviadores que podem dar cagada no longo prazo.

Mas sem mais delongas, vamos olhar rapidamente como funciona uma solução de prateleira de uma grande consultoria.

Aproveite e use essa solução na sua organização.

“Ué, Caio, não é uma solução de prateleira? Não dá cagada?”

Calma. Se atente ao que eu vou falar em cada etapa do processo para não dar advil pra quem precisa de carbamazepina!

1. Definição do Problema

“Ah vá que eu tenho que definir o problema.”

Para resolver um problema, a gente precisa saber qual é o problema. Isso é muito básico.

Mas para saber qual é o problema, a gente precisa ir a fundo nele. Se não, a gente corre o risco de achar que uma dor de cabeça é por causa do stress, quando na verdade ela é por causa da pressão intracraniana que está alta.

E além disso, existem vários tipos de dor de cabeça. Pode ser tensional, de aura, entre outras.

Em outras palavras, vou dizer aqui embaixo, e em negrito, pra você não esquecer.

Não confunda causa com efeito, nem correlação com causalidade!

Essa é a grande cagada que as grandes empresas de consultoria fazem com suas soluções generalizadas.

Não seja assim. Estude a fundo o teu problema. Saiba diferenciar causa de efeito e correlação de causalidade.

Por exemplo, se você tem um problema de marketing, a solução pode ser relacionada à estratégia, precificação, método de pagamento, etc.

Um problema de marketing pode ser causado pelo que você faz em finanças 😉

2. Descrição dos processos que envolvem o problema

Toda empresa tem processos. Para escrever esse texto, eu estou seguindo um processo.

Se a tua empresa não tem processos, você precisa ler meu ebook sobre estratégia que vai ser lançado em alguns dias. Mas vamos falar sobre isso mais tarde.

A descrição dos processos de um problema é importante pra você conhecer o problema, e garantir que você não confundiu causa com efeito, ou correlação com causalidade!

Por exemplo, vamos mapear o processo de compra do seu cliente, supondo que você anuncie no facebook.

Ele vê o seu anúncio no facebook, e pode ignorar, curtir, ou clicar. Se ele ignorar, algo pode estar errado com o seu anúncio. As palavras que você usou podem estar erradas, o anúncio pode estar confuso, seu tar etc. Se ele curtir, ele provavelmente vai clicar. Mas se ele não clicou, você acabou de perder uma venda. Ele pode estar sem grana, e não saber que você parcela em vezes. Talvez você não tenha despertado a urgência nele, ou ele não achou que seu produto era escasso o suficiente.

Viu quantos problemas, causas, efeitos, e correlações a gente pode inferir só de um post no facebook? Agora, imagine se eu tivesse falado sobre o “clicar“.

3. Identificar as partes do processo que causam o problema

Vamos pegar o exemplo da sua dor de cabeça. Ela pode apenas estar correlacionada com seu stress. E você atribui uma causalidade à correlação. E acha que tá tudo bem.

Mas na verdade, você tá estressado, e começa a ter bruxismo, esfregar seus dentes uns nos outros enquanto faz força. E você passa a noite inteira fazendo isso, enquanto dorme.

Mas o seu bruxismo também pode ter uma causa. Vamos supor que você tem se sentido muito estressado, ansioso, e até com sintomas depressivos. Você desenvolve uma síndrome do pânico.

E ainda mais, com bruxismo você acaba com o esmalte do seu dente, o que causa ainda mais dor de cabeça, e uma dor de dente de brinde!

Então, qual a real causa da sua dor de cabeça? Stress, bruxismo, síndrome do pânico, ou dentes desgastados?

O que você deve tratar primeiro? O que é mais relevante? Você vai primeiro no dentista? Ou no neurologista?

Conclusão

Essa é a primeira parte do método BCF. Na sexta, sai a segunda parte!

As 3 primeiras etapas do método BCF enfatizam a importância da análise e compreensão do problema que você tem.

É impressionante quantas pessoas tratam problemas complexos em organizações com remédios de prateleira, como a instalação de um novo sistema, a demissão e contratação de funcionários, ou investimentos bizarros em marketing.

Não existe solução pronta. Não tem atalho. Não acredite no cara que vende óleo de cobra para emagrecer.

Você concorda comigo que o único jeito de arrumar um problema organizacional é com inteligência?

Sim, né.

E é por isso que em alguns dias, eu vou lançar o meu ebook.

O livro fala sobre o mínimo, mínimo que você precisa saber sobre a estratégia da sua empresa.

E você sabe, como sou eu que tô escrevendo, a linguagem é simples e acessível, e eu coloco conceitos importantes na ponta do lápis de uma maneira que ninguém nunca fez antes.

Pô, seria tão melhor se todos os livros sobre estratégia, gestão, e organizações fossem escritos com uma linguagem assim, né?

Mas tem um porém.

Eu só vou dar esse livro para o grupo de pessoas que fazem parte da minha lista de emails.

Eu vou dar mesmo. Apesar do conteúdo valer uns 50~80 reais no mínimo, ou valer a salvação das empresas em alguns casos, eu vou dar.

Os demais vão ter que esperar até eu receber um feedback legal desse grupo com quem eu troco ideias pra poder baixar.

Eu quero que você receba esse livro antes de todo mundo. Então faz assim:

Clique Aqui para receber primeiro!

REFERÊNCIAS

Waisberg, I., & Nelson, A. (2018). When the General Meets the Particular: The Practices and Challenges of Interorganizational Knowledge Reuse. Organization Science

Photo by Nhia Moua on Unsplash

 

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