Alta Participação na Educação Superior – Um Fenômeno Global

No post passado, falei que não era pra você agradecer nenhum político babaca por estar no ensino superior, mesmo pelo Prouni ou Fies.

Schofer e Meyer (2005) explicam que os sistemas de alta participação na educação aconteceram após a segunda guerra mundial, quando o mundo inteiro começou a engajar-se num processo de liberalização. Isto é, o governo começou a se meter menos nos negócios, e o capitalismo pode respirar.

O fetiche pela tecnologia e pelo desenvolvimento também ajudaram. Um amigo meu uma vez me perguntou: você preferiria ser um milionário em 1918 ou da classe média hoje? Eu fiquei em dúvida, mas a resposta é bem óbvia. Um milionário em 1918 provavelmente não teria muitas das coisas que qualquer família da classe média tem hoje, muito do conforto que qualquer um de nós temos hoje. Esse cara de 1918 morreria de gripe, ou de diarréia. Se tivesse sorte, viveria até os 50 anos.

A internet com certeza teve um papel determinante também. As nações e empresas estão mais conectadas, e para Schofer e Meyer (2005) há uma alta correlação entre o número de matriculas na educação superior, e o número de conexões exteriores com as demais nações. Mas daí não se resume à internet, mas presença internacional, como a vinda dos franceses para estruturar a USP (tem dúvida porque é a melhor universidade do Brasil?)

Os defensores da democracia, dos direitos humanos, progressistas e desenvolvimentistas, apesar da maioria ter minha antipatia, também foram muito importantes para a inclusão de milhões de pessoas no ensino superior.

Entretanto, contudo, porém, todavia, Marginson (2016) mostra diversos argumentos contra Schofer e Meyer (2005). Principalmente a parte da globalização. Afinal, Schofer e Meyer (2005) falam bastante de conexões internacionais, mas sempre se remetem aos Estados Unidos e à Inglaterra como as conexões mais fortes. Assim, eles partem do pressuposto de que a globalização é um fenômeno de mimetização do que acontece nos EUA. Uma espécie de isomorfismo educacional.

(Nota. Isomorfismo [iso – igual/ morfos – forma] é a semelhança estrutural entre sistemas)

Perceba as escolas de negócios, por exemplo. Do Oiapock ao Chuí, de Tokyo a São Paulo, de Montreal a Montevideo, estão ensinando a mesma coisa, muito provavelmente do mesmo jeito, inspirado no que os americanos fazem.

No final, parece que Rammstein (a banda alemã, naquela maravilhosa música Amerika) estava certo. E eu cito eles aqui:

Musik kommt aus dem Weissen Haus / Und vor Paris steht Mickey Maus.

REFERÊNCIAS

Rammstein (2004) Amerika. https://bit.ly/2JnBpDX

Schofer, E., & Meyer, J. W. (2005). The worldwide expansion of higher education in the twentieth century. American sociological review70(6), 898-920.

Appadurai, A. (1996). Modernity al large: cultural dimensions of globalization (Vol. 1). U of Minnesota Press.

Marginson, S. (2016). High participation systems of higher education. The Journal of Higher Education87(2), 243-271.

Photo by davide ragusa on Unsplash

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